Depoimento:
Sempre quis ter um Terrier Brasileiro, pois na minha casa, quando criança e adolescente, tivemos a Chulipa (que pulou de dentro do saco de Papail Noel, no meio da sala lá de casa, fazendo o maior sucesso pra criançada da rua inteira, e depois a maravilhosa Violeta, duas mestiças de fox paulistinha, que viveram anos conosco.
Amo cães, e sempre tivemos cães, gatos e coelhos, enquanto morei em casas, desde solteira até depois, durante a infância de meu filho. Tive inclusive uma Doberman que aprendeu a fazer coisas que não consegui ensinar a meu filho Augusto, como guardar os brinquedos depois de brincar. Mas depois de passar a morar em apartamentos, que ficavam sem ninguém a maior parte do dia, minha vida ficou sem a companhia canina durante muitos anos.
Adquirimos um sítio, e lá pudemos ter vários cães, gato, égua, vaca, galinha, etc. Mas só os víamos nos finais de semana. Até que, num dia chuvoso e frio, estava eu lendo os jornais depois do café da manhã, quando meu marido retorna logo depois de sair, entrando na sala e dizendo: "olha o presente que achei na rua" (era dia de seu aniversário). Era o Presente, um vira-latas pequenino, de uns dois meses, todo molhado, sujo e cheio de pulgas. Segundo os pedreiros da obra em frente ao escritório onde meu marido tinha uma reunião, sua mãe, vira-latas sem dono, tinha sumido, e da ninhada de três era o único sobrevivente. Estava vagando sozinho, tentando subir os degraus do passeio, atrás de uma empregada com um saco de pães que entrou e fechou o portão atrás de si. Virou o reizinho da casa, a criança bagunceira que viria encher nossa casa, já que a filha de meu marido já estava casada e meu filho morava com o pai. O Presente é tão lindo, tem um ótimo temperamento, e é tão especial que várias pessoas nos pediram filhotes, mas nunca consegui achar uma namorada adequada ao seu tamanho. Quem se interessar em vê-lo, ele está nos álbuns dos sítios basta clicar nos links abaixo:
http://www.pelosepatas.com.br e http://www.vidadecao.com.br
Quem tem cadelinhas de raça não quer saber de um genro vira-latas, e também não achei quem tivesse uma vira-latas do tamanho dele que quisesse acasalamento. Tentei sítios e ong´s que fazem doações, mas eles só doam castradas. Então, virei uma verdadeira cachorreira, procurando uma Jack Russel ou uma Terrier Brasileira para companheira do Presente. Escrevi mails e dei telefonemas para vários canis, tentando encomendar uma filhotinha, até que recebi a atenção do César Lagarto, do Canil Pedra de Guaratiba. Assim, compreendendo e atendendo gentilmente meu pedido de uma cadelinha apropriada para o Presente, o César reservou a Tulipa para nós. Foram uma série de mails, trocando fotos do Presente e da Tulipa, nos instruindo sobre os procedimentos para trazê-la de avião, escolhendo o seu nome, e nos informando sobre seu desenvolvimento, o desmame, vermifugação e vacinas. Fui ficando preocupada quanto ao possível medo do barulho do avião, de ficar horas dentro de uma gaiolinha, sem mãe nem seus donos, mas o César tranqüilizou-me. A chegada da Tulipa foi esperada ansiosamente, até que, depois de desembaraçada pela companhia aérea, pude tirá-la da gaiola e, chamando pelo seu nome, ela se aconchegou dengosamente no meu pescoço. Foi um encontro!
Tulipa está fazendo seis meses, está sadia, esperta, com todas as vacinas a que tem direito, vive aqui em Belo Horizonte, em nosso apartamento que tem uma pequena área externa, e no Sítio Guarda-Mor, em Catas Altas, onde tem um mundão pra explorar. É uma companheirona pro Presente, gosta de fazer farra com os outros cachorros do sítio, corre atrás das angolas, da bezerra e do potrinho. Passeia na mata, pula dentro da lagoa e faz túneis melhor que um tatu. No pet shop Bicho Meu, do Dr. Luiz, faz o maior sucesso!
Tulipa já sabe sentar, dar a pata, e atende ao comando "senta, espera, pronto" quando vai receber comida e petiscos. Adora cenoura crua, mamão, banana, maçã, pêra, mexerica, uva, e até ameixa amarela!
Tulipa não gosta de roupinhas. Arranca o pijama sozinha durante a noite. Encara qualquer cachorrão, rosna pros cães atrás dos portões de suas casas, e late pra pessoas estranhas na rua. É muito levada também, destrói um brinquedo em menos de uma semana, já estragou três sapatos meus e furou algumas meias. Sabe fazer as necessidades no lugar certo, mas de vez em quando está brincando do lado de fora, dá uma paradinha, e vem pra dentro fazer xixi e cocô, como uma menininha que entra pra ir ao banheiro. E leva pito! E da mesma forma que o Presente vive no calcanhar de meu marido, a Tulipa não me larga, realmente me adotou como mãe!
Belo Horizonte, 24 de setembro de 2006.