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Padrao Comentado da Raca Terrier Brasileiro

Elaborado por Celso dos Anjos e Mauro Prizibela.
Revisado por Leyla Rebelo, Myriam Borba, Marina Lerario e Marcos Hotz.
Impresso em: 25 de abril de 2001.

SUMARIO HISTORICO: os ancestrais do Terrier Brasileiro nao sao originarios do Brasil. No seculo 19 e comeco do seculo 20, muitos jovens brasileiros estudavam em universidades europeias, especialmente, na Franca e Inglaterra. Estes jovens frequentemente retornavam casados e suas esposas traziam com elas um cao pequeno do tipo Terrier. Os jovens brasileiros e suas familias voltavam para as fazendas de onde tinham saido. O caozinho se adaptou a vida da fazenda e acasalou-se com caes e cadelas locais. Assim, um novo tipo se formou e o fenotipo foi fixado em poucas geracoes. Com o desenvolvimento das grandes cidades, os fazendeiros, com suas familias e empregados foram atraidos pelos grandes centros urbanos. Desta forma o pequeno cao sofreu outra mudanca de ambiente.
Comentario: No tocante a aspectos historicos, hoje admitimos que ha fortes indicios de que efetivamente caes de tipo terrier, sem precisao de raca definida, viajavam como ratoneiros nos navios mercantes, principalmente nos ingleses, desde o seculo XIX. Se estima que tais caes teriam sido acasalados com outros caes autoctones e dado origem ao Terrier Brasileiro. Fenomeno semelhante e encontrado em outros continentes e em diversos paises. Dai o Nihon Terrier no Japao, o Rat Terrier nos EUA, o Ratonero Bodeguero Andaluz na Espanha, os Foxters do Uruguay e Argentina, o Foxterrier do Chile, o Cao Sueco das Fazendas, etc... O Terrier Brasileiro foi adaptado tanto ao campo como ao meio urbano. No meio urbano teve a importante funcao de guardar as mercadorias dos armazens da acao predatoria de roedores e, no meio rural, tambem com eficiencia, passou a desempenhar ativiidades de caca e, inclusive, a de boiadeiro junto aos rebanhos.

APARENCIA GERAL: cao de medio porte, esbelto, bem equilibrado com estrutura firme mas nao muito pesada, corpo de aparencia quadrada com nitidas linhas curvas que o diferencia do retilineo Fox Terrier de pelo liso.
Comentario: O esbelto e aqui entendido como um cao nao grosseiro, elegante e robusto. Nao e um cao fragil. Entende-se corpo de aparencia quadrada como um cao bem proporcionado, nao pernalta e nem de pernas curtas, curvilineo. Saliente-se que cao quadrado nao e o cao pernalta e de dorso longo.

COMPORTAMENTO / TEMPERAMENTO: incansavel, alerta, ativo e esperto; amigavel e gentil com amigos, desconfiado com estranhos.
Comentario: E um cao de alarme e se nao for familiarizado com alguem, devera se portar com reservas. Caes excessivamente timidos ou agressivos nao condizem com o que se espera da raca. O Terrier Brasileiro deve ser autoconfiante, corajoso, determinado, mas perfeitamente controlavel por seus proprietarios.

CABECA: vista de cima, a cabeca tem a forma triangular, mais larga na base, com orelhas bem afastadas, estreitando-se acentuadamente dos olhos ate a ponta da trufa. Vista de perfil, a linha superior e ligeiramente ascendente da ponta da trufa ao stop, principalmente entre os olhos, arqueando-se ate o osso occipital.
Comentario: Deve ser uma cabeca de base larga, com masseteres bem desenvolvidos, boas bochechas. Ha que lembrar que trata-se de um cao de caca. A proporcao cranio/focinho e 1:1.

REGIAO CRANIANA
Cranio: arredondado com a testa ligeiramente plana. Suas linhas laterais, vistas do alto, convergem para os olhos. A distancia, do canto externo do olho a insercao das orelhas e igual a distancia entre os cantos externos de ambos os olhos. O sulco sagital e bem desenvolvido.
Comentario: Visto de frente o cranio e arredondado, mas a testa e ligeiramente plana.
Stop: pronunciado.
Comentario: O stop e pronunciado, mas nao muito, e se caracteriza por uma elevacao curta.

REGIAO FACIAL
Trufa: moderadamente desenvolvida de cor escura e narinas largas.
Comentario: A cor deve ser o mais escura possivel segundo as variacoes de tricolor(preto, marrom e azul). Os exemplares azuis devem ter a trufa cinza escuro e nao preta.
Focinho: visto de cima forma um triangulo isosceles dos cantos externos dos olhos a ponta da trufa; forte e bem cinzelado abaixo dos olhos com declive na base do focinho, acentuando o stop.
Comentario: O focinho embora seja um triangulo isosceles, deve ser forte e de boa massa, bem cinzelado, dando a impressao de uma cabeca bem esculpida.
Labios: secos e firmes, o labio superior ajusta-se sobre o inferior, cobrindo os dentes, permitindo fechar a boca completamente.
Bochechas: secas e bem desenvolvidas.
Comentario: Sendo o Terrier brasileiro um cao de caca, deve ter bochechas bastante fortes, como dito anteriormente.
Dentes: 42 dentes, regularmente implantados e bem desenvolvidos com mordedura em tesoura.
Comentario: A necessidade de boa denticao, completa e bem desenvolvida vem do fato de ser um cao de caca. A contagem dos dentes se faz necessaria em julgamentos.
Olhos: implantados equidistantes entre a protuberancia occipital e a ponta da trufa, bem separados, a distancia entre as duas pontas externas dos olhos e igual a distancia entre a ponta externa do olho ate a ponta da trufa. Direcionados para a frente, moderadamente proeminentes, grandes e com sobrancelhas ligeiramente acentuadas. Arredondados, bem abertos, vivos, com uma expressao inteligente; tao escuro quanto possivel. A variedade azul tem olhos cinza azulados; a variedade marrom tem olhos marrons, verdes ou azuis.
Comentario: A expressao arredondados nao significar dizer que sao amendoados. Nao sao saltados. Nos tricolores de preto devem ser o mais escuro possivel quase pretos, nao devendo ser castanho-claros ou cor de mel. Nos tricolores de marrom ou de azul, sao registradas as tonalidades claras.
Orelhas: inseridas lateralmente, na linha dos olhos, bem separadas uma da outra deixando bom espaço para o cranio. De formato triangular com terminacao em ponta; portadas semi-eretas, com a ponta dobrada voltada para o canto externo do olho. As orelhas nao sao operadas.
Comentario: A expressao mais correta e semi-caidas. A orelha deve dobrar-se no terco anterior. Nao sao desejaveis orelhas que dobram-se no 1/3 posterior. No geral tais orelhas ocorrem em caes de insercao de orelhas muito altas. E importante que o arbitro saiba reconhecer que as orelhas nao devem ser excessivamente grandes e pesadas e nem pequenas em demasia. Posicionamentos indesejaveis de orelhas: em rosa, desarmonicas (uma bem posicionada e outra nao), lateralizadas e tombadas rente a face. As orelhas devem ter seu vertice apontando para o canto externo dos olhos.

PESCOCO
de comprimento moderado, proporcional a cabeca, implantado harmoniosamente a cabeca e ao tronco. Bem definido e seco; com a linha superior ligeiramente curva.

Comentario: Geralmente a insercao do pescoco em relacao ao torax e cabeca deve ser muito suave, denotando profunda harmonia. O fato de ter uma linha superior ligeiramente curva nao pode ser confundido com pescoco de cisne ou ovelha. Observe-se que os pescocos devem, igualmente estarem harmonizados com o dorso, devendo guardar proporcao com o mesmo. Caes de pescoco curto devem ter dorso curto. Caes de pescocos mais longos, dorso mais longo.

CORPO
bem balanceado, nao muito pesado, de aparencia quadrada com linhas curvas bem definidas.
Comentario: Corpo bem balanceado, devendo ser entendido que o Terrier brasileiro e cao de trabalho, de caca, devendo apresentar uma estrutura robusta, sem ser tosca. A expressao "Bem balanceado" nao pressupoe uma estrutura leve.
Cernelha: bem pronunciada e ligada harmoniosamente aos membros anteriores.
Linha Superior: firme e reta, ligeiramente ascendente da cernelha para a garupa.
Comentario: A partir da cernelha ha um breve declinio e, a partir dai ha uma leve ascendencia em direcao a garupa, sendo que desde entao ha uma suave e harmonica curva. Portanto, a linha superior do Terrier brasileiro nao e uma reta paralela ao solo. E sempre importante lembrar que o Terrier brasileiro e um cao de linhas curvilineas.
Dorso: relativamente curto e bem musculado.
Comentario: Alguns caes tem apresentado dorsos por demais longos, vindo a coincidir com os exemplares chamados "extra-longos". Os extra-longos tendem a ter linha superior descendente, o que e um defeito.
Lombo: curto e firme, harmoniosamente ligado a garupa.
Comentario: O lombo e reto.
Garupa: ligeiramente inclinada, cauda de insercao baixa. Bem desenvolvida e musculosa.
Comentario: Vista lateralmente, a garupa e arredondada, levemente inclinada e a cauda necessariamente tem insercao baixa. Vista de cima deve ser musculosa e harmoniosamente larga. Garupas que se curvam abruptamente (muito inclinadas) terminam por determinar caudas de insercao exageradamente baixas. Garupas pouco, ou nada inclinadas produzem insercao de cauda muito alta ou atipicamente alta.
Antepeito: pouco pronunciado, moderadamente largo, permitindo movimento livre dos anteriores.
Comentario: Visto lateralmente e pouco pronunciado.
Peito: longo e profundo, alcancando o nivel dos cotovelos. O esterno se conecta a costelas bem arqueadas; estando na horizontal, o esterno e moderadamente arqueado.
Comentario: O peito deve ser efetivamente largo, oportunizando relativo espaçamento dos membros anteriores. Peitos nao largos terminam por conferir frentes estreitas, de estetica e funcionalidade indesejavel, principalmente no que coincide com a pouca profundidade de peito, gerando verdadeiras "angulos agudos" no desenho formado entre os bracos e o peito.
Linha Inferior e Barriga: ligeiramente curva, ascendente para os posteriores, mas nao esgalgada como no Whippet.
Comentario: Linhas inferiores retas sao igualmente indesejaveis. No geral os caes longos possuem tendencia ao esgalgamento exagerado.

CAUDA
insercao baixa, curta, cortada na juncao entre a 2a e 3a vertebras caudais.
Cauda natural: curta, nao alcançando os jarretes, de insercao baixa, vigorosa, portada alegremente, sem curvar-se sobre o dorso.
Comentario: Em funcao das recentes legislacoes contra cirurgias mutilatorias em caes, e por solicitacao da CBKC junto a FCI, a cauda do Terrier brasileiro pode permanecer inteira. No Brasil a cauda e usualmente cortada, nao havendo mais delimitacao do espaco intervertebral para a amputacao, pela FCI. A cauda pode ser ausente de nascenca, caracterizando os anuros, ou pode possuir algumas vertebras, caracterizando os braquiuros. Garupas que se curvam abruptamente podem determinar o mau posicionamento de caudas, caracterizando caudas de insercao demasiadamente baixa, prejudicando a estetica do exemplar. A cauda natural nao deve ultrapassar a linha do jarrete e podera apresentar-se em "foice" curvada sobre o dorso, contrariando o que reza o Padrao.

MEMBROS
DIANTEIROS: vistos de frente, retos, moderadamente afastados, mas alinhados com os posteriores que tambem sao retos, porem mais afastados.
Comentario: Os membros anteriores sao retos e moderadamente afastados, nunca juntos demais, denotando falta de antepeito e largura de torax.
Ombros: longos, angulados entre 110° e 120°.
Bracos: aproximadamente do mesmo comprimento que a escapula.
Cotovelos: colocados junto ao corpo, no mesmo nivel da linha inferior do peito.
Comentrio: Os cotovelos trabalham rente ao corpo sem apresentacao de "luz" entre estes e o tronco.
Antebracos: retos, finos e secos.
Comentario: Quando fala-se em finos, quer-se dizer que sao finos como a maioria dos terriers, o que nao faz supor aparente fragilidade de estrutura ossea.
Articulacao dos carpos (pulso, munheca): angulacao aberta.
Comentario: O Terrier brasileiro nao deve lembrar a articulacao dos Fox Terrier ingleses, com angulacao de 90 graus entre os carpos e metacarpos.
Metacarpos: retos e finos.
Patas dianteiras: compactas, nem viradas para dentro nem para fora. Os dois dedos do meio sao mais longos.
Comentario: A forma da pata lembra a "pata-de-lebre".

POSTERIORES: fortemente musculados, coxas bem desenvolvidas, pernas proporcionais as coxas. Jarretes altos com angulacao obtusa.
Comentario: Como cao de caca deve ser um cao com otimo trem posterior, bem musculado para que tenha otima propulsao de arranque.
Coxas: bem desenvolvidas e musculosas.
Joelhos: angulacao obtusa.
Pernas: proporcionais as coxas.
Jarretes: altos de angulacao obtusa.
Comentario: Sao bem aprumados.
Metatarso (quartela traseira): retos.
Patas traseiras: compactas, mais longas que as dianteiras.
Comentario: E incorreto pensar que o Terrier brasileiro deve apresentar as angulacoes traseiras semelhantes as dos caes pastores. Note-se que em grande parte dos exemplares "extra-longos" e bastante alta a incidencia de caes acentuadamente angulados. Por outro lado, em caes excessivamente curtos se tem-se observado, com relativa freqüencia, "jarretes de porco", ou seja, angulacao insuficiente.

PASSADA / MOVIMENTACAO:
elegante, livre, movimentacao rapida e curta.
Comentario: A movimentacao deve ser fluente, com passadas curtas e rapidas. Em funcao de sua pouca angulacao de frente, assim como a maioria dos terriers, tem um andar picado. Nao deve fazer acao alta nos anteriores (falso Hackney), nem tampouco Hackney.

PELE:
bem ajustada, nao frouxa. Seca.

PELAGEM
Pelo: curto, liso, fino sem ser macio, bem assentado a pele, tipo pelo de rato. Nao se pode ver a pele atraves do pelo. Mais fino na cabeca, orelhas, na parte inferior do pescoco, nas partes internas e inferiores dos membros e face posterior das coxas.
Comentario: Ha caes que efetivamente apresentam uma pelagem mais tosca, densa,inclusive com registro de sub-pelo, conferindo ao exemplar um aspecto mais grosseiro, principalmente quando abundam na regiao cervical e glutea, o que deve ser considerado mais como um sinal de primitivismo do que, propriamente, uma atipia.
COR: cor do fundo predominantemente branca com marcacoes pretas, azuis ou marrons; as seguintes marcacoes tipicas e caracteristicas devem estar sempre presentes: castanho acima dos olhos, em ambos os lados do focinho e na face interna e nas bordas das orelhas. Essas marcacoes podem se estender por outras regioes do corpo como transicao entre o branco e o preto. A cabeca deve sempre apresentar marcacoes em preto, azul ou marrom na regiao frontal e orelhas; sao admitidas faixas ou marcas brancas preferivelmente no sulco frontal e nas laterais do focinho, distribuidas o mais harmoniosamente possivel.
Comentario: O Terrier brasileiro deve dar a impressao de que originalmente seria um cao branco, com marcacoes de "tan" nas laterais do focinho e sobre os olhos, em quem se jogou tinta. Se a tinta for preta se tera o tricolor de preto, se a tinta for marrom se tera o tricolor de marrom e se a tinta for de um cinza azulado se tera o tricolor de azul. Ainda que o padrao refira que o cao deve ser predominantemente branco, entende-se que os exemplares mantados nao devam ser penalizados. O ideal e que as marcacoes tan sejam bem definidas nas laterais do focinho e nos catrolhos. A testa e orelhas devem ser escuros tanto quanto o resto da pelagem da 3ª cor (preta, azul ou marrom) . A presenca do branco na face ainda que permitida segue o citado no padrao, o que daquela concepcao fugir sera tolerado, o que nao significa dizer desejado. As ditas cabecas amarelas e a nao demarcacao dos catrolhos nao sao desejaveis. Marcas de "tan" isoladas no corpo caracterizam marcacao atipica. Em alguns caes o tan podera ser amarelado claro ou cor de areia, o que nao e desejado. Nos exemplares azuis o tan costuma ser de menor intensidade. Em alguns caes o "tan" e de um amarelado claro ou cor de areia, o que nao e desejado. Cabe igualmente o registro de possivel presenca eventual de um "salpicado' ou "mosqueado", de cor "tan" nos membros, principalmente nos dianteiros. Pode igualmente haver um "salpicado" de preto em regioes brancas do corpo.

TAMANHO E PESO
altura da cernelha: machos de 35 a 40 cm. e femeas de 33 a 38 cm. .
Peso: 10 kg no maximo.

FALTAS
Qualquer desvio dos termos deste padrao deve ser considerado como falta e penalizado na exata proporcao de sua gravidade.
- falhas na estrutura;
- aprumos incorretos;
- pelagem longa ou atipica;
- falhas nas marcas caracteristicas;
- orelhas portadas eretas;
- ombros muito pesados ou muito frageis;

FALTAS DESQUALIFICANTES
- agressividade ou timidez;
- garupa sem leve inclinacao;
- prognatismo superior ou inferior;
- falta de harmonia, talhe atipico.

NOTA: os machos devem apresentar dois testiculos aparentemente normais, completamente acomodados na bolsa escrotal.
Comentario Final: O padrao do Terrier brasileiro devera ser rediscutido e submetido a uma revisao em marco de 2005. Nesta oportunidade estara o Terrier brasileiro completando 10 (dez) anos de registro provisorio junto a FCI e, em tal momento, postular-se-a seu reconhecimento definitivo.


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